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Jogadoras comentam prêmio especial do Ladies do 888Live São Paulo

Evento de R$ 500 vai premiar a campeã com um pacote para o Main Event da WSOP Europa


10/09/2017 01:54
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Jogadoras comentam prêmio especial do Ladies do 888Live São Paulo/CardPlayer.com.br
Carol Dupré e Beth Silva vão ser atrações no Ladies do 888Live (fotos: Luis Bertazini)


Outrora um torneio paralelo com fields bem pequenos, o Ladies conseguiu se tornar uma grande atração em qualquer festival ao vivo no país. Na etapa paulista do 888Live, o torneio exclusivo para mulheres foi tratado de forma especial. Além de ser realizado em dois dias, o campeonato de R$ 500 vai premiar a campeã com um pacote no valor de US$ 13 mil para o Main Event da WSOP Europa. 


Com exclusividade, o jornalista Marcelo Souza, editor da Card Player Brasil, conversou com duas jogadores que foram convidadas pela organização do 888Live para participar do Ladies. Veja o que a profissional Carol Dupré e a recreativa Beth Silva tem a dizer sobre este grande campeonato que começa hoje, a partir das 20h (horário de Brasília).


Marcelo Souza: Algumas pessoas acreditam que torneios exclusivamente femininos inferiorizam as mulheres. Qual a sua opinião sobre isso?


Carol Dupré: Eu acredito que torneios exclusivamente para mulheres só faz com que elas tenham a oportunidade de conhecer mais sobre o poker em si e se sentir mais seguras para jogar qualquer outro torneio. 


MS: O Ladies do 888Live vai oferecer um pacote completo para o Main Event da WSOP Europa. Com tanto em jogo, você acredita que esse será um dos torneios femininos mais difíceis do Brasil?


CD: Com certeza terá mais jogadoras regulares do que o normal, mas a graça do poker é que qualquer pessoa tem a chance de ganhar. Pelo fato de termos um pacote completo para o Main Event da WSOPE, acredito que a mulherada jogará mais focada do que o normal, afinal, nenhum torneio até hoje realizado no Brasil teve um atrativo tão interessante.


MS: Qual a sensação de estar entre as convidadas exclusivas para jogar o Ladies do 888 Challenge? Dá uma sensação de reconhecimento do trabalho?


CD: Fiquei muito feliz e agradecida por ser uma das convidadas exclusivas. Ser de certa forma referência para jogadoras recreativas e também para aquelas que estão começando a se profissionalizar dá uma sensação de reconhecimento do trabalho incrível.


MS: Desde a nossa última entrevista, você viveu muitas experiências, em diferentes lugares. Você hoje é uma pessoa e uma jogadora mais evoluída? Poderia falar mais um pouco sobre isso.


CD: Com o decorrer dos anos eu tive várias experiências como jogadora de poker que eu nem imaginava que poderia ter. Nos últimos anos eu evolui muito o meu jogo por ter tido oportunidades de jogar fora do Brasil. 


Fui convidada pelo NoFear, que é um projeto que leva jogadores do Brasil até Las Vegas para jogar torneios ao vivo. Foi uma das melhores experiências da minha carreira. Sair fora da sua zona de conforto, rotina, ficar longe da família e amigos. Balança muito seu lado emocional .


Você tem que estar muito preparada para esquecer todos os fatores externos e realmente focar só no poker. Com certeza foi um período de evolução profissional e emocional muito importante para mim.


MS: Existem várias pessoas que desrespeitam as mulheres às mesas, fazendo piadinhas, passando cantadas. Isso ainda acontece com você? Ou hoje, à mesa, todos não lhe veem mais como uma mulher, mas sim como uma jogadora? 


CD: Hoje em dia as coisas já mudaram muito. Há alguns anos não era tão comum ter mais de uma mulher na jogando, por exemplo. Hoje isso é normal. No meu caso, como já sou experiente no circuito, no geral, a maioria dos homens sabem que estou ali realmente trabalhando . 


Claro que uma vez ou outra acontece alguma cantada ou piadinha sem graça, mas levo na esportiva e fica tudo certo. Dá até para tirar vantagens de certas situações (risos).


MS: Para aquelas que ainda não são tão conhecidas e experientes como você, qual seria sua dica para contornar situações chatas como essas? E para os homens que fazem isso, o que você tem a dizer?


CD: Para as meninas que estão começando eu indico sempre usar um fone de ouvido para ouvir música ou até mesmo para não ouvir nada (risos).


Automaticamente cria um bloqueio para chegar qualquer "falinha" indesejada e assim focar mais nas ações que estão acontecendo.


MS: Qual jogadora ou jogadoras você acredita que representa melhor o poker feminino? Por quê?


CD: Sou fã declarada da Vanessa Selbst. Ela tem um conhecimento absurdo do jogo, com uma postura e um foco sem igual. Para mim ela é uma jogadora completa.


MS: Para finalizar, o que podemos esperar da Carol no futuro?


CD: Tenho alguns projetos para o ano de 2018. Um deles é desenvolver um coach específico para mulheres. Além de trabalharmos à parte da matemática, teoria e dinâmica do jogo, eu quero desenvolver o lado psicológico, que acredito que seja um dos fatores mais importantes no poker.


A mulher em si já é mais propícia a ter o lado emocional mais sensível. Eu vivo trabalhado isso diariamente e sei a dificuldade que é. Então quero desenvolver algo relacionado mais ao lado emocional.


Estou  em um momento profissional um pouco agitado. Fico um tempo no projeto do NoFear, em Las Vegas, depois passou um tempo aqui no Brasil. Ainda estou com algumas propostas de patrocínio em mente, mas ainda nada concreto.  


Vou focar nos torneios ao vivo e amadurecer meu projeto e ver que rumo vai tomando minha vida profissional, talvez aqui no Brasil mesmo ou em Las Vegas. O importante é ter a certeza que estou no caminho certo. 




Marcelo Souza: Qual a sensação de uma jogadora recreativa como você ser lembrada para disputar um torneio tão importante como o Ladies do 888 Challenge? 


Beth Silva: Ser lembrada para esse torneio tão respeitado e tão importante foi uma grande surpresa e uma felicidade gigante. Me sinto privilegiada e muito grata por isso.


MS: Você hoje se interessa em elevar o nível do seu jogo cada vez mais, ou para você o que interessa é apenas se divertir?


BS: Não, de jeito nenhum! Quero evoluir, quero aprender sempre mais e mais. Vou em busca do que todo jogador sonha, mas o divertimento para mim está em primeiro lugar. O dia que eu deixar de me divertir jogando poker, não jogo mais.


MS: Você sempre acompanhava seu filho nos torneios, começar a jogar poker proporcionou uma aproximação ainda maior entre você e o Vinícius Silva? Você poderia falar um pouco sobre isso? 


BS: Acompanhei o Vini algumas vezes por aqui, mas foi em 2014 que aconteceu a grande mudança na minha vida e acredito que na dele também. Me apaixonei pelo poker, pelo ambiente frenético da WSOP, conheci pessoas incríveis e soube durante minha permanência lá, que eu queria entrar "nesse mundo"! Fiquei em Las Vegas mais de 20 dias, acompanhando e torcendo o tempo todo por ele, sem entender absolutamente nada de poker. Mas la estava eu, firme e a maioria do tempo em pé durante horas e horas, enviando mensagens de incentivo, torcida, energia e força através do WhatsApp. Tenho todas as mensagens gravadas, todas as reportagens da época, todos os meus posts. Coisas de mãe mesmo! Me lembro como se fosse hoje, a primeira vez que ele passou para o Doa 2 em um torneio com mais de 3.000 jogadores! Nos abraçamos e choramos de felicidade, afinal, era o começo de um sonho, jogar a WSOP! Ele foi muito bem nessa estreia, se tornando o brasileiro que entrou mais vezes em ITM na temporada. E ter a família, pai, esposa e mãe presentes, mesmo que nos revezando, foi muito importante para ele e para nós!  


As vezes rola um ciúmes (risos), mas no geral nossa aproximação foi maior porque hoje viajamos juntos para jogar, discutimos as jogadas, ele me dá mil broncas (é super crítico), mas foi ele quem me incentivou a jogar o meu primeiro Ladies, em fevereiro de 2015, logo após meu primeiro curso de iniciante com o Felipe Mojave.


MS: Quais as suas expectativas para o Ladies do 888 Challenge? 


BS: Minhas expectativas são sempre as melhores, afinal, em quase 3 anos de poker eu sou bicampeã de Ladies, com meu primeiro troféu conquistado exatamente um ano após começar a jogar. Mas, de verdade, espero jogar bem, dar o meu melhor e me divertir. O restante é consequência.


MS: Para as mulheres que têm medo de começar a jogar, seja por vergonha, por se sentirem intimidadas ou por outros motivos, o que você teria a dizer para elas? Seu começo também foi difícil?


BS: Sou uma pessoa extrovertida, gosto de desafios e por sorte ainda tive o incentivo e apoio de toda minha família. Mulher casada, que tem o apoio e patrocínio do marido que não joga poker, não é comum. 


Mas eu diria para elas: não deixem de tentar, não deixem de experimentar o quanto é prazeroso participar de um torneio! Vocês não imaginam quantas amizades nascerão e o quanto esse "mundo novo" pode nos proporcionar.


Sem medo, sem vergonha, tentem!!!


MS: Em alguns filmes, como Bem-vindo ao jogo e Negócios e Trapaças, os protagonistas acabam dando fold com a melhor mão para que seu pai e seu tutor possam seguir o sonho de vencer um grande campeonato de poker. Caso você e seu filho chegassem à reta final de um grande torneio, e você tivesse a oportunidade de blefá-lo ou eliminá-lo, você o faria, ou o coração de mãe pesaria na hora? 


BS: Como jogadora, deveria "jogar o jogo", assim como ele fez comigo, me passando um blefe histórico num torneio, rindo da situação e ainda me dando uma bronca por eu ter foldado a melhor mão.    


Mas tenho certeza que meu coração de mãe falaria mais alto numa FT, então eu deixaria o melhor para ele, mas jamais confessaria para ninguém. Já sabem se algum dia isso acontecer, a dúvida ficará no ar!


MS: Para finalizar, por que você aconselharia outras mulheres a entrarem nesse mundo do poker, ainda dominado pelos homens? 


BS: Se você mulher gosta de poker, sente vontade de jogar, vá em frente. Não se preocupe se ele é dominado pelos homens, esse preconceito está muito mais na cabeça das próprias mulheres do que na deles. E lembrem-se: temos uma boa vantagem, eles tem dificuldade de "ler" o nosso jogo!!! 




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