Arrancar uma tell do lendário Phil Ivey é praticamente impossível. Dono da poker face perfeita, o decacampeão da WSOP já mostrou que é capaz de manter a calma em todos os momentos, até mesmo quando um avião pode ir parar no fundo do Oceano Atlântico. Em entrevista ao podcast da Card Player, Antonio Esfandiari contou como foi a experiência de sobreviver a um pouso forçado ao lado de Ivey e do empresário Dan Shark. Confira o relato do campeão do The Big One for One Drop:
“Esse foi de forma disparada um dos momentos mais assustadores da minha vida. Shark é incrível, mas ele definitivamente não era uma das pessoas mais calmas naquele voo. Nem tem como comparar com o Ivey. Ele estava super indiferente, sem movimento. Não mostrou preocupação nenhuma em seu rosto.
Naquele dia, eu estava no início de namoro com a minha esposa. Estávamos indo para a Europa, em um voo de Nova York até Cannes, na França. Duas horas após decolarmos, nós estávamos sobrevoando o oceano. Após todo mundo conversar um pouco, chegou a hora de tirar um cochilo. Nos deitamos em um pequeno sofá no avião.
De repente, sinto o avião descer. Comecei a tropeçar um pouco, porque essas coisas me preocupam. Olho para a cabine e os pilotos estão apertando botões, o que não é o ideal. A comissária de bordo apareceu e se sentou nos assentos ao nosso lado. Ela afivelou o cinto de segurança e posso dizer que ela está absolutamente aterrorizada. Isso é pior do que qualquer coisa, porque ela está apavorada!
Com tudo isso acontecendo, as máscaras de oxigênio caem. Você já esteve em um voo em que as máscaras de oxigênio caíram? Não é um sentimento bom. O comandante nos diz que houve perda repentina de pressão na cabine e que precisamos fazer um pouso de emergência. Como vamos pousar se estamos sobre a água?
Além de não fazer ideia do que iria acontecer, eu pensava que eu ainda não havia dito a minha namorada que eu a amava. Ela até que acordou bem. Olho para o lado, e o Ivey estava em outro sofá. Ele se levanta sem emoção alguma, coloca a sua máscara e se senta como se nada estivesse acontecendo. Eu não podia acreditar o quão calmo ele estava. Foi inacreditável.
Acabou que descemos até 15.000 pés, recuperamos a pressão na cabine e fizemos um pouso de emergência na Islândia. Ficamos lá por cinco horas até a chegada de um novo avião. Conseguir ir até a Lagoa Azul, que é um local absolutamente lindo”.