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Card Player entrevista Joe Cada

Craque falou sobre a sua grande atuação na WSOP 2018


17/08/2018 18:00
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Card Player entrevista Joe Cada/CardPlayer.com.br
Joe Cada já se tornou uma lenda do poker ao vivo


Joe Cada escreveu o seu nome na história do poker ao se tornar o mais jovem jogador a cravar o Main Event da WSOP. Em 2009, ele despachou 6.493 adversários para embolsar US$ 8,5 milhões. Nas temporadas seguintes, o norte-americano provou ser um dos ex-campeões mundiais mais talentosos, acumulando US$ 5 milhões nos MTTs ao vivo e outros três braceletes da série.


O desempenho de Cada na WSOP 2018 foi incrível. No Evento 3: US$ 3.000 NL Hold'em Shootout, ele faturou o título e US$ 226.218. Já no Main Event, o jogador de 30 anos ficou próximo de se tornar o primeiro competidor a cravar o torneio duas vezes na era moderna do poker. Eliminado na quinta colocação, ele levou US$ 2.150.000 para casa.


O show de Cada não parou por aí. No Evento 75: US$ 1.500 NL Hold’em Turbo The Closer, ele foi o primeiro de 3.120 inscritos, desempenho que lhe rendeu mais US$ 612.886.


Em bate-papo exclusivo com a Card Player, Cada falou sobre o seu desempenho no último verão. Confira:


CP: Muitos estão dizendo que a sua performance foi a melhor da história nos grandes torneios de NL Hold’em. O que você pensa sobre isso?

JC: Isso é como os torneios funcionam, algumas vezes. Eu fui um dos sortudos e outras profissionais não. Dito isso, eu sempre senti muita confiança no meu jogo e nunca pensei que eu precisava provar algo. As pessoas me dizem: ‘Isso valida você?’ A forma como eu enxergo isso é que as milhões de mãos que eu joguei no online e a capacidade de enfrentar alguns dos melhores na WSOP comprovam minha capacidade. Eu realmente enfrentei a nata do esporte da mente e toda essa experiência se traduziu em grandes resultados nos feltros.


CP: Você participa de cash games no restante do ano, correto?

JC: Sim, isso é basicamente o que eu faço e tem sido assim na maior parte da minha carreira. No ano passado, foi a primeira vez que eu fiquei muito tempo afastado da internet. Não foi porque eu não estava me saindo bem. Em 2016 e 2017, eu tive alguns dos meus melhores resultados no online, surpreendentemente. Eu apenas estava cansado de jogar tantas mãos.


CP: Dado o fato de você ter feito uma pausa, não jogando eventos desde 2017, você ficou surpreso com o seu sucesso na WSOP 2018?

JC: Não, realmente não. Eu cheguei descansado e com mais de 15 anos de experiência, trabalhando pesado sempre. Então, eu não acredito que isso tenha me prejudicado. Eu joguei mais poker do que fiz qualquer outra coisa na minha vida. É algo natural pra mim e eu fiquei muito mais disciplinado com o passar do tempo. 


CP: Apesar de ter começado a WSOP 2018 com uma vitória, as pessoas passaram a falar de você no decorrer do Main Event. Obviamente, esse é um torneio único em termos de prestígio, field e prize pool. Tendo vencido uma vez, você realmente se imaginou fazendo outra FT?

JC: Sempre é possível chegar à decisão do Main Event da WSOP e é por isso que eu jogo o torneio todos os anos. É muito difícil de conseguir porque existem muitas armadilhas que você precisa escapar ao longo do caminho. Por alguma razão estranha, eu sempre senti que poderia voltar a fazer FT e talvez eu consiga isso pela terceira vez. 


CP: Os outros jogadores que avançaram bastante no Main Event podem ter achado que essa era a única chance de faturar o bracelete. Estar livre desse pensamento lhe ajudou? A oportunidade de se tornar o primeiro bicampeão na era moderna de alguma forma aumentou a pressão? 

JC: Talvez eu tenha sentido menos pressão, mas isso não é algo que me afeta muito na hora de tomar as decisões. Quando eu estou jogando, eu não penso no dinheiro fora das implicações do ICM. Eu estou apenas tentando fazer a melhor jogada a cada momento. Antes do shuffle up and deal eu fico ansioso, tudo isso porque vai haver uma transmissão televisiva todos os dias. Todas as suas mãos são analisadas. Eu apenas disse a mim mesmo que queria me sentir bem sobre como eu jogava.


CP: Então você é eliminado do Main Event e logo em seguida engata no The Closer. Você pensou em fazer uma pausa?

JC: Ao ser eliminado no Main Event da WSOP, eu estava satisfeito com a forma que eu joguei a mão que me tirou da briga pelo título. Então, como eu havia me programado para ficar em Las Vegas por mais dois dias, eu optei por jogar mais um campeonato. Na primeira mão eu saio com A-K e encontro dois pares no flop. O button paga a minha aposta e no turn ele fica flush draw. Eu aposto e ele anuncia all-in. Eu não corro e no river ele acerta o flush. Fui eliminado na primeira mão e eu não tinha certeza se faria a reentrada. Talvez fosse um sinal para que eu colocasse um fim na WSOP 2018. Eu deixei o salão e fui até à piscina ficar com a minha família e os meus amigos. No último minuto eu escolho voltar ao The Closer e logo na primeira jogada eu dobro as minhas fichas. 


CP: Você fechou o verão com a conquista do tetra na WSOP, se juntando a nomes do calibre de Bobby Baldwin, Michael Mizrachi, Brian Rast, Puggy Pearson e Amarillo Slim. Acumular muitos braceletes é algo importante para você?

JC: Sim, é algo significativo. Não é a minha prioridade, caso contrário eu jogaria todos os high rollers e eventos de mixed-games. Nesta temporada, mesmo ocupando as primeiras colocações do ranking da WSOP, eu descartei torneios que eu não acho divertidos e que eu não tenho vantagem. Os braceletes são importantes, eu apenas não persigo eles. 




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