EDIÇÃO 90 » COLUNA NACIONAL

Gestão de Capital

Coquetel "antiquebra"


João Bauer e Fábio “F1oba” Maritan
Bankroll é o montante que se tem reservado para jogar poker. Gerir esse dinheiro consiste em decidir em quais limites se investir, minimizando o risco de falência decorrente da variância entre ganhos e perdas. Neste artigo, nossa intenção é passar para vocês como funciona a gestão de bankroll para torneios online.
 
Primeiramente, o seu bankroll deve ser independente das suas finanças pessoais e quaisquer outros investimentos. Antes de ser um bom jogador de poker é necessário que você seja um bom administrador. Saber escolher o que você joga, investindo regularmente em buy-ins adequados durante uma sessão e sem se preocupar com o dinheiro ali investido, carece do entendimento de dois fatores: a ciência de que é lucrativo nos torneios que está investindo e o momento certo de subir ou descer os limites.



A maioria dos livros e artigos que tratam sobre gerenciamento de bankroll estão ultrapassados. Em regra geral, a literatura convencionou que para jogar confortavelmente os torneios, você deveria reservar algo entre 40 e 100 buy-ins. Hoje em dia, em que os jogadores imprimem um volume muito mais forte, essa gestão mostrasse inviável – por exemplo, é possível que, muitas vezes, você gaste 40 buy-ins em uma única sessão diária.

Atualmente, a gestão de bankroll que utilizamos e recomendamos baseia-se no valor médio de inscrição (average buy-in) e na quantidade de torneios diários que compõe a sessão do jogador. Por exemplo, se suas sessões diárias são compostas por 30 torneios, com valor médio de inscrição de $10, você investe diariamente um total de $300. Esse número, multiplicamos por 20 (para uma gestão de bankroll mais agressiva), totalizando $6.000, ou por 30 (para uma gestão mais conservadora), totalizando U$ 9.000. Escolher entre uma gestão mais agressiva ou conservadora vai depender também de seu estilo de jogo e histórico de variações, além da disponibilidade financeira. Falando em variações, é importante frisar que nos buy-ins mais baixos a dificuldade para se bater o limite é menor, impactando em variâncias menores. O contrário também é válido, já que nos limites mais altos temos mais dificuldades e uma variância mais cruel. Daí a importância de estar ciente se você bate ou não determinado limite.



Sobre momento certo de subir ou descer os limites, é muito importante que se, por exemplo, em uma downswing (período de perdas), você desça o equivalente a 100 buy-ins médios ($1.000), você ajuste sua grade de torneios de acordo, para amenizar os impactos. Esse ajuste consiste em colocar torneios mais baratos e, consequentemente, reduzir o valor médio de inscrição. Assim, estamos sempre respeitando a regra de se ter no mínimo 20 vezes o valor total da sessão diária.
 
Gerir o bankroll implica também em saber os momentos certos de se fazer saques. As retiradas não podem atrapalhar sua rotina diária de trabalho, ou seja, saques agressivos, que vão te forçar a jogar limites mais baratos, acabam sendo prejudiciais no longo prazo. Por regra, recomendamos realizar saques quando se excede em mais de 20% o capital de giro. Por exemplo, supondo que você tenha os $6.000 de bankroll e não tem, por enquanto, pretensões de subir o valor de inscrição médio. Seus saques podem ser feitos sempre que seu bankroll estiver acima de $7.200.
 
Com este “coquetel antiquebra” em mãos é possível suportar as variações naturais que ocorrerem e ainda manter um capital de giro saudável. Tratar seu bankroll de forma similar a um capital de giro empresarial e fazer uma gestão disciplinada são características fundamentais do bom jogador profissional, impactando diretamente em seu sucesso e regularidade.


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