EDIÇÃO 85 » COLUNA NACIONAL

Explorando seu professor


Yuri “theNerdGuy” Martins
É bem fácil perceber porque os jogadores online têm muito mais técnica que jogadores ao vivo. Poker é um jogo de informações incompletas, está em constante atualização e há infinitas situações diferentes que podem ocorrer com você nas mesas. A experiência diária que o atleta online tem é, de fato, fundamental para seu rápido desenvolvimento técnico no poker.
 
Durante um torneio ao vivo joga-se, em média, uma mão a cada 2-3. Já na internet, um grinder joga dezenas de mãos por minuto, muitas delas enfrentando os melhores jogadores do mundo. Por isso, os profissionais online estão em constante evolução, estudando a forma como estão jogando os profissionais mais bem-sucedidos do momento, caso contrário, serão eternos jogadores razoáveis.

Mas não se preocupe se você joga somente ao vivo. Há outras formas de absorver conteúdo rapidamente, como em qualquer situação da vida, basta fazer duas perguntas básicas: “Por quê?” e “E se...?”.
 
Vamos direto ao ponto. É extremamente chato quando um aluno fica inseguro ou tímido só respondendo, “entendi”, “uhum”, “ok”, durante o coaching. Aí fica aquela dúvida na minha cabeça: “Será que entendeu mesmo?” Está pagando só pra ficar ouvindo eu falar? Isso não é curso de poker! É muito mais interessante quando, durante um coaching, você percebe seu aluno extremamente interessado em aprender, perguntando sobre tudo e tentando absorver o maior número de informações possíveis. 




Por exemplo: eu digo para um aluno por que, em uma determinada situação, apostar metade do pote no flop é a melhor escolha. Entretanto, esse é o momento que meu aluno erra, ele só concorda. Tudo bem que eu expliquei o porquê de jogar daquela forma, mas olha a quantidade de perguntas que ele poderia ter feito para absorver mais informações só nesta simples mão: “E se eu fizer uma aposta maior?”, “E se eu apostar menos?”, “E se eu passar a vez?”, “Por que check-raise ou check-call é ruim?”, “E se eu demorar para agir, mostra fraqueza?”, “Por que não jogar rápido?”, “Por que não dar all-in?”, “E se o vilão fosse ruim, profissional, passivo, loose, agressivo, semiprofissional, tight...?”, “E se eu tivesse mais fichas?”.
 
São muitas perguntas. Agora, imagine, para cada flop ou opção você refazer todas as perguntas anteriores? Depois dizem que poker é fácil.
 
Essas respostas lhe darão um caminho para outras milhares de situações. Quer um exemplo de sucesso? Um dos alunos que me fizeram quebrar a cabeça foi o Luciano Hollanda. Ele simplesmente começou a fazer perguntas, “me colocando na porta”. Resultado? Com toda sua dedicação e obsessão por conhecimentos, ele foi contemplado com o título do SCOOP $215 e já fez outras inúmeras mesas finais importantes.
 
Então, fica a dica! Deixe a timidez ou a insegurança de lado, abuse do “Por quê?”, “E se...?” e tente levantar o maior número de informações possíveis que acrescentarão no seu conhecimento, até porque o professor está recebendo para isso.
 
@YuriNerdguy
www.facebook.com/YuriNerdguy
 
Paranaense, Yuri é apontado por muitos como o jogador mais técnico do Brasil. É jogador regular de torneios de Texas Hold’em e cash games de Omaha.



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