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EDIÇÃO 64 » COLUNA NACIONAL

Jogando com K-K no início do torneio

Os Reis da África


Felipe Mojave

A mão de que falarei aconteceu no World Poker Tour South Africa, evento do qual participei no final de outubro de 2012. O WPT tem uma das melhores estruturas do circuito internacional. São 30.000 fichas e blinds aumentando a cada hora, sempre passando pelos níveis “quebrados”. Tudo isso permite que os jogadores desenvolvam um poker de alta qualidade.

Logo na segunda mão do torneio, recebi K-K no button. Quando a ação chegou até mim já havia um raise de 250 e dois calls. Aumentei para 900. O big blind reaumentou para 3.500.

Achei a aposta dele bastante alta. Todos deram fold, e entendi que a melhor jogada era dar call e jogar pós-flop.

Havia chances de aquele jogador fazer essa jogada com mãos fracas? Na verdade, não, por mais agressivo que ele fosse. Em inícios de torneios é bem difícil achar alguém que haja dessa maneira. Portanto, eu estava com o radar ligado.

O flop foi muito bom, 10-10-4 de naipes diferentes. Meu oponente apostou 4.500. Novamente, optei pelo call. Se ele tivesse A-A, eu estaria encrencado, mas esse bordo me dava a chance de extrair bastante valor de mãos como J-J, Q-Q ou mesmo A-K. Com esta última, ele provavelmente aplicaria também uma continuation bet.



O pote já tinha quase 20.000 fichas, e se ele resolvesse apostar forte o turn, eu teria uma decisão bem difícil a tomar. Um Valete apareceu, e ele pediu mesa. Decidi que a melhor linha naquele momento era dar check-behind e acompanhar o seu comportamento.

O river foi uma Dama, deixando o bordo com 10-10-4-J-Q. Ele pensou por bastante tempo e pediu mesa. Isso foi um tanto estranho, e a única certeza que eu tinha, ali, é a de que eu estava perdendo.

Ele poderia ter A-A, ou J-J, Q-Q e A-K, como previsto. Outra possibilidade era ele segurar par de reis, a única mão para a qual eu não perco, empato. Poderia ser um blefe? Bem, como eu disse no início, por mais loose ele seja, dificilmente aplicaria uma jogada dessas no início do torneio. Sem falar que não havia informações suficientes para entrarmos em metagame.

Também optei por dar mesa, e ele apresentou A-K para uma sequência runnner-runner. Foi um duro golpe perder a mão desse jeito, depois de um flop tão bom, mas acredito que joguei de forma bastante adequada.



Aqui, meu principal recado é para que vocês muito cuidado com os potes grande disputados no começo dos torneios, inclusive com mãos fortes. A melhor e mais saudável maneira de se acumular fichas em um competição como esta é de forma gradual, sempre conseguindo o máximo de informações possíveis.
 
Dessa vez fui traído pelo baralho. Mas quem garante que, se eu tivesse ido all-in, meu oponente não teria dado call com A-K e me eliminado logo na segunda mão? Nunca se desesperar e nem se precipitar nos primeiros blinds de um evento longo é muito importante, por mais alto que seja o seu par.

Gostaria de lembrar que o carinho que recebi lá na África do Sul foi enorme. Como primeiro campeão internacional de um grande evento no país (venci a WSOPC em 2010), me pediram até para assinar uma mesa de poker que será leiloada. Outros caras, como Chris Moneymaker, campeão do Main Event da WSOP 2003, também participaram da cerimônia. Foi um momento feliz da minha carreira, e me senti bastante lisonjeado com tudo.




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EDIÇÃO 64

Ano 6 - novembro, 2012

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