EDIÇÃO 34 » COLUNA NACIONAL

Pelo Valor, Blefando ou Pelo Dinheiro Morto?

Tipos de Apostas e Razões Para Apostar


Christian Kruel

Algumas edições atrás, falamos sobre a aposta por proteção e, agora, vamos retomar o assunto das apostas, nos concentrando em aspectos pouco comentados da aposta pelo valor, do blefe e das apostas que não têm valor e nem são blefes, mas que servem para recolher o “dinheiro morto” da mesa em alguns casos.
 
O primeiro passo é sempre se questionar nas situações: por que apostar? Jogadores fracos dificilmente fazem esse tipo de pergunta e, quando faz, as respostas, via de regra, são insuficientes. Ao indagarmos alguns colegas em alguns lances de apostas, as respostas mais comuns são: "Tenho certeza de que estou com a melhor mão aqui", "Estou apostando para definir onde estou na mão" ou "Estou tentando proteger minha mão".
 
O grande problema aqui é que essas razões, por si só, não são suficientes para apostar. Como vimos no artigo sobre apostas por proteção, tanto estas quanto aquelas feitas para obter informações são efeito de uma aposta e não a causa da mesma. Dito isto, quais seriam então as razões que autorizariam as nossas apostas em determinadas situações? Eu diria que podemos confiar cegamente em três motivos principais:
 
1) Aposta pelo valor: é feita para levar calls ou raises de uma mão pior.
Problema: nem sempre que você perceber que está com a melhor mão, terá um motivo válido para apostar pelo valor.
 
2) Blefe: é a aposta feita no intuito de fazer mãos melhores que a sua serem descartadas.
Problema: apostar só porque percebemos que não podemos levar a mão de outra forma não é motivo suficiente para blefar.
 
Voltando à mecânica do jogo, podemos perceber que os jogadores que cometem erros, fazem isso muito mais ao dar calls errados do que folds errados, então, com essa simples observação, deduzimos que a aposta pelo valor deve ser muito mais explorada do que o blefe, principalmente em mesas fracas. Diante disso, a value bet será sempre a melhor forma de extrair dinheiro dos nossos oponentes.



 
Em mesas baratas, como a NL10 ou a NL25, quase todos os jogadores darão muitos calls numa frequência bastante grande, fazendo com que o blefe seja um tipo de aposta que deve ser muito pouco explorada nesse tipo de jogo.
 
Já em jogos de limites altos, como NL5000, quase todos na mesa serão bons o suficiente para não pagar nossas apostas integralmente com uma frequência tão grande. Logo, a razão para se fazer value bets nesses níveis diminui, enquanto o motivo para blefar aumenta. No entanto, é bom ficar ligado, pois até mesmo em limites altos é muito mais comum vermos um call ruim do que um fold ruim, assim como nas mesas mais baratas.
 
E a aposta de continuação? O que podemos falar sobre ela sob essa perspectiva? Digamos de estamos no button com KQo e abrimos um raise que foi pago pelo big blind, um jogador loose-passive que não larga um par no flop. O flop abre A-7-5 rainbow e ele pede mesa. Teríamos aqui uma aposta de continuação padrão? Por quê?
 
Apostando aqui, dificilmente seríamos pagos por uma mão pior, tipo QJ. Até mesmo algo como 8-6 estaria quase numa situação de coin flip contra nós nesse momento. Assim, a aposta pelo valor não faz sentido. Partindo ainda do pressuposto de que temos a melhor mão sem par e de que nosso oponente não daria fold em nenhum par, também não faria sentido apostar como blefe. Mas ainda assim nós apostamos! Por quê? Aqui entra uma terceira razão para apostar:
 
3) Recolher o dinheiro morto no pote: é a aposta que faz nosso oponente dar fold, independente de a mão dele ser melhor ou pior, apenas para recolher o dinheiro que já está no pote.
 
É óbvio que esse tipo de aposta é um pouco mais elaborado se comparado com a aposta pelo valor e com o blefe, mas o que de fato a faz funcionar bem? Primeiro, porque em todo pote as equidades são divididas. Teoricamente, existe uma parte do pote que lhe pertence e outra que pertence ao seu oponente. Suponhamos que, nesse flop A-5-7 rainbow, você tenha o KQo e seu oponente, JTo. Usando o Poker Stove, você verá que, nessa situação, a equidade do KQo é de 64%, enquanto a equidade do JTo é de 36%. Dessa maneira, em tese, 36% do pote pertence ao vilão. Assim, fazê-lo dar fold acaba sendo um bom negócio para você, porque o faz abrir mão da parte a que fazia jus.



 
Depois, porque recolher o dinheiro morto no pote compensa, ainda que eventualmente a gente tome call. Alguns dias atrás, eu estava observando uma mão entre dois grandes jogadores, o “Gboro” e o Caio Pimenta. O jogo rolava em limites altos e ambos estavam bem deep stacked e jogando loose – Caio mais loose do que GBoro. O brasileiro já havia se envolvido em muitas mãos com o americano, e estava realmente bem mais ativo na mesa. Gboro abre a bet e Caio tribeta. GBoro volta uma 4-bet, e o brasileiro pensa um pouco e empurra uma 5-bet all-in. Mesmo com toda a ação que Caio dava na mesa, Gboro optou pelo fold e viu o brasileiro mostrar uma mão fraca, tipo 7-5 off.
 
Caio não estava fazendo essa 5-bet pelo valor, tampouco esperava que Gboro largasse mãos muito fortes, justamente porque o próprio Caio tinha uma imagem muito agressiva na mesa, mas ainda assim aumentou. Por que ele fez isso? Depois dessa enxurrada de apostas, que resultou em uma 5-bet all-in, existe no pote uma quantidade muito grande de dinheiro morto. Para que essa jogada seja lucrativa para Caio, bastaria que Gboro largasse a mão pouquíssimas vezes. Assim, a 5-bet seria lucrativa no longo prazo, fazendo com que o shove fosse um movimento correto naquela situação. E foi exatamente isso que aconteceu. À medida que os jogos ficam mais agressivos, mais dinheiro morto será colocado no pote e mais pessoas terão tendência a blefar, o que não acontece nos limites mais baixos.
 
Por fim, lembrem que as principais razões para apostar são pelo valor e blefando. Imagine que tenhamos um nut flush draw num bordo com 973Q e tomamos a decisão de apostar no turn. Aqui, obviamente estamos blefando, esperando que mãos como JT e A8 sejam descartadas, e não apenas perseguindo dinheiro morto. No próximo artigo, retomaremos um pouco mais o assunto.




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Ano 3 - maio, 2010

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