EDIÇÃO 21 » FIQUE POR DENTRO

Combate Mano a Mano: ‘Darrenelias’ Tira Vantagem de Leituras Afiadas e Jogada Fraca Para Ganhar Evento FTOPS


Craig Tapscott

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Mão nº 1



Craig Tapscott: Vamos falar da dinâmica de um evento como o FTOPS.
Darren Elias: Estas séries de torneios online gostam de atrair muitos participantes, usando satélites de baixo custo. Essencialmente, o que você vai ver são seis ou sete amadores de limites baixos na mesa com dois ou três profissionais competentes.

CT: E sua mesa?

DE: Assim que eu identifiquei os jogadores, comecei a atacar meus alvos e a abrir minhas gamas contra os oponentes mais fracos. Isso não significa que eu não defenda e reaumente contra os jogadores agressivos, mas definitivamente estarei mais apto a ver flops contra jogadores mais imaturos. Isso pode parecer um conceito extremamente simples, mas tudo parte da noção que esses adversários menos habilidosos vão cometer mais erros quando colocados diante de uma decisão.

CT: Qual é sua leitura do vilão?

DE: O vilão e eu vínhamos ambos sendo muito ativos na mesa, e ele era um dos jogadores com os quais eu queria me envolver.

Vilão aumenta para 1.600 do cutoff.

CT: Você está no small blind quando a mesa roda em fold. Como você interpreta o tamanho dessa aposta?

DE: Com esse tipo de oponente, vou encarar as ações deles do nível mais simples, e interpreto esse tamanho de aumento como uma mão fraca. Ele está me dizendo que prefere não jogar a mão, e gostaria de levar o pote antes do flop. A gama se torna mais inclinada a incluir pares baixos, ases e outra do mesmo naipe e mãos de Q-J a K-Q.

Darrenelias reaumenta para 5.000 com 99 do small blind. Vilão paga.

DE: O grande aumento inicial dele se encaixa bem na minha estratégia, pois permite que a dinâmica dos estoques funcione em minha jogada do flop. Ao abrir raise de 1.600, ele me permite reaumentar muito mais e engolir o pote pré-flop. Tenha em mente que, nessa situação, contra esse tipo de oponente, estou muito mais propenso a largar diante de um empurrão ou de uma four-bet (re-reraise) pré-flop. Isso ocorre porque jogadores inexperientes são mais propensos a fazer uma grande jogada em uma situação assim e voltar all-in facilmente, e também mais propensos a empurrar tudo com uma gama de mãos como J-J a A-K.

Flop: 1052 (pote: 10.900)

CT: A maioria dos amadores se assustaria um pouco com uma overcard e jogaria esse flop passivamente.

DE: Supondo que ele tenha J-J+ pré-flop uma boa percentagem das vezes, as únicas mãos na gama dele que realmente nos preocupam são J-10 suited e mãos como AQ, KQ e QJ. Todavia, nesse momento, estamos preocupados apenas em extrair o valor máximo do vilão. Eu aposto menos de um terço do pote.

Darrenelias aposta 3.350.

CT: Espere um pouco. Explique por que essa “donk-betting” (apostar, fora de posição, contra quem deu raise pré-flop) é o procedimento correto nessa situação.

DE: O objetivo dessa aposta é ganhar mais valor das mãos que ele vai descartar se eu empurrar, como grandes ases e alguns pares menores. Eu provavelmente seguiria outro caminho contra um adversário competente aqui, mas me senti confiante de que conseguiria manipular o pote contra esse.

Vilão empurra all-in com 10.549. Darrenelias paga 7.199.

Turn: 6 (pote: 31.998)

River: 8 (pote: 31.998)

Vilão mostra A7. Darrenelias ganha o pote de 31.998.

DE: Nosso vilão aceita o convite de empurrar all-in, eu logo dou call com meus noves. A aposta no flop serviu para meu propósito de criar a ilusão de equidade de fold na cabeça de nosso oponente. Há um lado engraçado nessa mão que também merece ser analisado.

CT: O quê?

DE: Ao me deixar com efetivamente uma aposta do tamanho do pote no flop, e tendo certeza de que tenho a melhor mão no momento, eu jamais daria fold. Além disso, se eu visse um flop que detestasse, ou o mesmo flop com uma mão inferior, como K-Q ou J-8 suited, eu provavelmente empurraria tudo aqui contra esse oponente. Tomando essa mão em particular como exemplo, ele largaria diante de meu empurrão no flop mesmo tendo a melhor mão, e me daria as fichas quando tivesse a pior. Na prática, dou a ele duas opções diferentes de tomar a decisão errada.

Mão nº 2



CT: Eu gosto de como você pensa. Vamos ver mais uma mão, da mesa final.

DE: Nesse estágio do torneio, estávamos os três jogando havia algum tempo, e víamos muitos reraise e four-bets pré-flop. O vilão nessa mão é um competente jogador europeu, que se mostrou bastante agressivo em posição.

Vilão aumenta para 80.000 do button. Darrenelias reaumenta do small blind para 286.000 com A Q. Vilão paga.

DE: Ele abre raise de cerca 2,5 big blinds, do button, o que não nos diz muito sobre sua mão, e eu volto reraise do small blind. Não quero dar a ele um preço muito bom para pagar em posição, e minha mão é forte o suficiente para que eu não me importe em levar o pote pré-flop ou mesmo pagar um re-reraise.

Flop: K105 (pote: 618.000)

Darrenelias pede mesa. Vilão aposta 306.000. Darrenelias volta all-in com 1.391.466. Vilão desiste.

Darrenelias ganha o pote de 924.000.

CT: Dessa vez você não tomou a iniciativa, pois não acertou o flop. Mas como você pôde fazer essa jogada, já que ele tinha dado raise pré-flop?

DE: O call pré-flop dele não me dá muito mais informações do que as do raise inicial, pois sabemos que ele é um jogador competente e potencialmente perceptivo que paga o reraise com uma grande percentagem de mãos.

Contra esse oponente, quando fora de posição, a coisa mais desanimadora que poderíamos ver seria um check. Essa é uma daquelas situações em que não é o que nosso oponente faz que nos dá informações, mas o que ele não faz. Pode parecer paradoxal, mas como ele se mostrou muito agressivo em posição, eu esperaria vê-lo jogando com um top pair como K-Q ou K-J de forma mais esperta. Acho que ele raramente apostaria alto com grandes mãos nesse flop, com medo de perder valor.

Acredito que seja mais provável que ele tenha uma mão como 7-7, 8-8 ou A-J, pois essas são as que ele tem para apostar nessa situação. Sob essa perspectiva, jogar com um par médio nesse bordo se torna extremamente difícil se ele fosse pedir mesa no flop e ver uma carta. Ele não pode ter certeza de onde está pisando quando estiver diante de uma aposta no turn, então o melhor caminho é apostar no flop. Ao contrário do primeiro exemplo, em que estamos lidando com um oponente incompetente, nessa mão estamos usando a competência do vilão contra ele.

Quando ele aposta quase metade do pote, eu fico mais confiante com a força de meu A-Q. Dou um check-raise-all-in, e espero ter sete outs para ganhar se ele pagar. As muitas mãos com as quais ele estaria apostando nesse flop, e não pagando um empurrão, tornam essa jogada lucrativa.

Darren Elias tem jogado poker profissionalmente há quatro anos. Ele se formou na University of Redlands ano passado com um diploma em escrita criativa, e gosta de ler e escrever em seu tempo livre. Darren já tem mais de $1 milhão em ganhos online, e está fazendo a transição para o circuito de poker ao vivo.




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