EDIÇÃO 20 » MISCELÂNEA

Coaching


Rafael Caiaffa

Depois da explosão do Texas Hold´em no Brasil, estamos entrando num novo processo. A cada dia, o nível dos jogadores aumenta e, com isso, a concorrência em busca de mesas finais está cada vez mais acirrada. Para se sobressair nos torneios hoje em dia é preciso ter “algo a mais”. Um conselho que quero dar ao leitor da CardPlayer Brasil é que busque aperfeiçoar seu jogo através de coachings com profissionais.

Já falei um pouco sobre isso em uma de minhas colunas, mas, a partir desse mês, vou aproveitar meu espaço para dar mais ênfase ao assunto. Ao fazer coaching com profissionais, seus professores vão tirar suas dúvidas, vão assisti-lo jogar e corrigir seus erros, que às vezes passam despercebidos.
Em 2006, André Akkari esteve em Belo Horizonte e ministrou um curso de cerca de 5 horas de duração. Estava me profissionalizando na época, tive a oportunidade de participar e aprendi muita coisa! Na época, eu pensava: “Pra quê esse cara vai ensinar as pessoas a jogar da maneira correta? Se ele é jogador e depende disso, quanto mais gente cometer erros, melhor pra ele”. Bobagem! Em primeiro lugar, é saudável para o crescimento do poker nacional que tenhamos bons jogadores e que nosso nível se eleve. Depois, por mais que alguém tente ensinar, algumas pessoas não querem aprender. Vou dar um exemplo real que aconteceu durante esse curso do Akkari.

Éramos cerca de 10 pessoas, e o logo após as cinco horas de curso, Akkari resolveu ser o dealer de um sit-and-go para os alunos. Após cada mão jogada ele daria showdown nas cartas e comentaria as decisões.  Um dos alunos, cujo nome não me recordo, jogava todas as mãos e estava perdendo suas fichas. Então Akkari falou: “Você tem que dar fold. Não pode jogar com essa mão nessa posição”. Ao que o camarada respondeu: “Mas eu gosto de ver o flop...” Akkari insistiu: “Mas você será perdedor jogando assim”. E o aluno finalizou, dizendo: “Mas eu gosto de ver o flop...” Ou seja, o sujeito não queria aprender e, mais de dois anos depois, deve ter quebrado vendo tantos flops... Falando nisso, nunca mais o vi por essas bandas.

Desde que voltei de Las Vegas, um dos meus objetivos era o de começar a dar coaching para amadores e semi-profissionais de Belo Horizonte. Porém, por questão de prioridades, ainda não consegui me dedicar totalmente a esse novo exercício. Uma das poucas pessoas com quem tive a oportunidade de fazer sessões de coaching é o Klauber Soares (aproveito para fazer justiça, já que não o mencionei em minha última coluna de 2009).

Klauber é um aluno extremamente dedicado, atencioso e que, definitivamente, quer vencer no poker. Ele foi o Campeão Mineiro de 2009, mostrando uma regularidade impressionante ao longo das etapas, e fico muito feliz por ter colaborado de alguma maneira.  Ao contrário daquele camarada que queria ver todos os flops, Klauber quer fazer as jogadas certas e tem sido recompensado por isso.

Para vocês terem uma idéia de como funciona um coaching, diga-se que, numa de nossas sessões, ele me veio com a seguinte dúvida: “Caiaffa, como devo jogar com pares baixos em determinada fase do torneio?” Ao que lhe respondi que, na fase inicial inicio dos torneios, pode-se ver o flop com qualquer par na mão para tentar acertar a sonhada trinca, o que certamente vai render muitas fichas. Desde que a ação pré-flop não seja tão agressiva, a jogada mais sensata com pares abaixo de 8 é apenas dar call mesmo.

Existe até uma conta que alguns profissionais usam. Geralmente, eles pagam uma aposta pré-flop com pares baixos se o raise inicial não for maior do que 10% do seu montante total de fichas. Isso acontece porque você vai trincar no flop cerca de 1 vez a cada 8 tentativas. Essa conta é feita usando as definições de pot odds e implied odds, mas, em sua leitura, considere que o adversário tenha realmente uma mão bastante forte. Afinal, no caso de acertar a trinca, é possível fazer com que ele coloque todas as fichas na mesa, o que pode render um belo pote para você.

É mais ou menos assim que funciona o coaching. Complicado? Subjetivo? Nem tanto. Essa foi apenas uma introdução para exemplificar os assuntos que discutiremos nas nossas próximas colunas. Para a edição seguinte, estou preparando um artigo totalmente dedicado aos pares baixos, e explicarei melhor como jogar com eles em determinadas fases dos torneios.

Os iniciantes que têm vontade de fazer coaching podem me mandar e-mails falando de suas principais dúvidas e do que gostariam de aprender ao ter aulas com algum profissional. Vamos analisar as principais dúvidas e discuti-las aqui.

E-mail: rcaiaffa@yahoo.com.br

Calendário 2009
As passagens estão compradas! Em abril vou para San Remo, na Itália, jogar meu primeiro EPT (European Poker Tour). Conhecer o velho continente sempre foi um sonho, e meu objetivo é fazer bonito por lá. Vale lembrar que em 2008, nessa mesma etapa, o brasileiro Felipe Mojave deu um show e por muito pouco não chegou à mesa final. Este ano parece que teremos muitos brasileiros jogando e, graças ao Best Poker, meu sonho vai se tornar possível.

Já entre os dias 14/6 e 14/7 o destino será Las Vegas. Não defini ainda quais torneios vou jogar pelo Best na WSOP, mas devem ser cerca de dois ou mais eventos. Quanto à questão da compra de porcentagens (assunto sobre o qual várias pessoas têm me perguntado), basta enviar um email para mim. Afinal, serão 30 dias em Vegas, e o que não falta em Sin City são torneios bons para forrar!




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